As pesquisas sobre as eleições do município do Rio apontam uma ampla vantagem do prefeito Eduardo Paes, indicando a possibilidade de vitória em primeiro turno. Há no ar um certo conformismo de que ninguém tem condições de enfrentar a poderosa coalizão formada pelo PMDB – que carinhosamente chamo de MONOPMDBPÓLIO ou PMDBPÓLIO.
Maquiavel deve estar rindo em seu túmulo, seus ensinamentos foram aplicados a risca pelo PMDB, e a divisão da oposição está permitindo mais uma vitória importante.
O PSDB, uma possível força de oposição, foi aniquilado, seus vereadores e políticos, constantemente assediados pelo PMDB, não resistiram. Em 2011, simplesmente 50% da bancada tucana debandou. Patrícia Amorim e Marcelo Arar voaram para o poleiro governista.
Para piorar, a briga interna para a indicação do candidato tucano a prefeito, envolvendo a vereadora Andrea Gouveia e o Deputado Federal Otávio Leite não poderia ter tido resultado pior. Como sou um tucano, esperava que a executiva Nacional do PSDB seguisse o modelo paulista de prévias. NÃO O FEZ! Ao contrário, seguiu o pior caminho, o do tapetão. Brasília é terra de Otavio, a Executiva Nacional estava bem mais acessível e, como sempre, os amigos dos amigos sempre escolhem … os amigos. Andrea Gouveia foi simplesmente ignorada, jogada para escanteio, e só tomou conhecimento da decisão pelos jornais.
Por maiores que sejam minhas divergências com a vereadora, principalmente por ter aderido, em muitas oportunidades, ao governo Paes, em especial, votando em muitas ocasiões contra os interesses dos servidores do Rio, não posso deixar de reconhecer essa injustiça.
A vereadora, no entanto, merece minhas homenagens e meus elogios pela forma como se portou, com espirito democrático e dignidade. Poderia muito bem, depois dessa deselegante atitude da Executiva Nacional, sair do partido para buscar outra legenda que permitisse a realização de seu sonho pessoal de ser prefeita. Fiquei contente ao ver sua resposta ao partido. Mesmo irritada – com toda a razão- triste e desapontada, desabafou seu descontentamento sincero e manteve a decisão de permanecer no partido. Esse comportamento maduro merece o aplauso e o reconhecimento de TODO O PSDB! Eu espero que todos os líderes do partido reconheçam esse ato de LEALDADE!
Coloco a resposta que a vereadora encaminhou à Executiva Nacional do PSDB - https://www.facebook.com/profile.php?id=100002086062842:
“Prezado membro da Executiva Nacional do PSDB,
Na tarde de ontem (8 de fevereiro), recebi telefonema do Deputado Federal Rodrigo de Castro, do PSDB de Minas Gerais, comunicando que entregaria relatório aos membros da Executiva Nacional recomendando o Deputado Otavio Leite como candidato à prefeitura do Rio de Janeiro.
O deputado comentou que, ao contrário do que fizera o Deputado Otávio Leite, eu não havia conversado com os membros da Executiva e, assim, perdera a oportunidade de defender meu nome como a melhor alternativa tucana.
Sinto-me na obrigação, portanto, de esclarecer que o meu “imobilismo" nada tem a ver com desfeita ou desinteresse em me apresentar à Executiva Nacional. Em nenhum momento fui informada, ou sequer percebi, que o "corpo a corpo" com cada integrante da Executiva determinaria o desfecho de um - esperado saudável e necessário debate de idéias sobre o futuro do Rio de Janeiro.
Na verdade, aguardava a decisão sobre os critérios objetivos em que se daria essa escolha, com amplas conversas com formadores de opinião do Rio - políticos, jornalistas, acadêmicos, sociedade civil - além, claro, do debate final entre os candidatos.
Agradeço a gentileza do telefonema do Deputado Rodrigo de Castro, convidando-me para ir a Brasília para a conversa pessoal, mas na verdade a decisão já havia sido antecipada pela coluna Panorama Político do jornal O Globo de 4 de fevereiro último. Nota do jornalista Ilimar Franco dizia que o Deputado Otávio estava exultante com o resultado do processo de escolha do candidato do PSDB às eleições municipais deste ano – a propósito, o desfecho de um processo, que, para mim, sequer aberto.
Enfim, quero crer que não se define o candidato à prefeitura da cidade com a maior visibilidade do país de uma maneira tão simples. Ingenuidade minha? É possível, mas ainda tenho esperança de que a Executiva Nacional reveja seu método de escolha, e não permita que o partido continue em trajetória cadente no município do Rio de Janeiro, entre outras razões pela falta de diálogo com outros atores capazes de superar obstáculos que emperram seu crescimento na cidade.
No Rio, já perdemos muito espaço político. Perderemos todos?
Cordialmente,
Andrea Gouvêa Vieira
Vereadora – RJ”
Não que eu apoie a vereadora, tampouco o deputado; eu apoio o PSDB, mais que isso, as ideias da SOCIAL DEMOCRACIA. Sou um TUCANO INDEPENDENTE, sem compromisso com pessoas, mas com ideias. Na minha opinião, nenhum dos dois colegas de partido tem condições de vencer essa eleição se não formar uma coligação forte. As pesquisas mostram números desanimadores, algo em torno de 2% a 5%. Isso é péssimo. Ambos os candidatos são conhecidos pela especialização de suas bandeiras. Ambos são excelentes parlamentares naquilo que sabem fazer, defender os interesses de seu universo de eleitores. Creio que essa porcentagem das pesquisas seja composta, em sua maioria, por eleitores do grupo específico deles.
Nenhum dos dois candidatos, na minha humilde opinião, preparou um objetivo global, de interesse MUNICIPAL. Nenhum dos dois mostrou pautas de interesses a outros grupos, ampliando o leque de exposição. Aos servidores, nada foi dito. A vereadora, enquanto pode, atacou e criticou esse poderoso grupo de influência. Eu suava muito para defender o PSDB, mas parecia que ela teimava em me desmentir. A defesa apaixonada das OSs, creio, foi a pá de cal que a vereadora lançou para sepultar uma eventual aproximação. Os servidores não querem ver Andrea nem pintada!
Otavio Leite, excelente defensor dos interesses dos portadores de necessidades especiais, “lan houses”, meio ambiente, turismo e educação física, infelizmente trabalha para um grupo muito pequeno, que não tem a capacidade de repercutir sua capacidade e competência em uma campanha majoritária do porte da que acontece no Rio.
Nenhum dos dois candidatos trataram de assuntos importantes da social democracia – como a refundação de um Estado do Bem Estar Social. Especificamente, nenhum dos dois apresentou propostas ou manifestações nesse sentido. Otavio ficou silente e Andrea, meu Deus, fez o oposto, defendeu mecanismos de descentralização e delegação. As OSs, como carro chefe dessa política de delegação de serviços públicos a iniciativa privada, foi um tiro de misericórdia.
A nota “bateu o martelo” que confirmou a candidatura de Otavio Leite confirma o que eu digo. Resumindo, a Executiva disse: “como nenhum dos dois vai ganhar mesmo, no zerinho ou um, ganhou o Leite”.
Se é comigo e a Executiva decide dessa maneira, com um meneio de ombros, dizendo que tanto faz – eu não iria comemorar, ao contrário, ficaria revoltadíssimo e alguém levaria um soco na cara! FATO! Se nem a Executiva Nacional do partido é capaz de enaltecer o ungido, não vai ser o povo quem vai faze-lo! A Executiva disse um claro: TANTO FAZ, ninguém conseguiu alianças nem apoios… não vale a pena debater muito ou elogiar ninguém!
Andrea merece meus elogios pela postura democrática e republicana, aceitou a decisão, embora discordando. Espero que dispute a vereança em 2012 pelo PSDB e, vencendo, busque rever seu atuar orientando-se mais pelo ideário da social democracia. Se o fizer, será prefeita no futuro, CERTAMENTE.
Otavio Leite também merece elogios, afinal de contas, mostrou ser político astuto e eficiente. Venceu em todas as esferas e agora vai ser a ponta de lança do PSDB, mas se pretende ser prefeito, deve começar a apagar os incêndios dentro de casa, conversando seriamente com a vereadora, para selar a paz interna. Pois o que começa quebrado…. termina quebrado. Esse é o primeiro grande desafio de Otavio Leite.
Voto 45 sempre, e tento, sempre que posso, ajudar a conquistar votos para o partido. Mas confesso que, nessa eleição, em qualquer cenário de candidato – Andrea ou Otavio- a coisa vai ser muito pesada.
Contudo… tudo o que é mais difícil, deixa a vitória mais gostosa. Vamos lutar.
É comum a crítica de que o servidor público é vagabundo, que ganha e não quer trabalhar, e por isso é um peso para a sociedade. Nas costas do servidor público é lançada a conta e a fatura de tudo o que de pior acontece na gestão de recursos e atividades do Estado. São os servidores os principais culpados pelos rombos previdenciários, orçamentários, pelos baixos valores do salário mínimo e das aposentadorias. A falência dos serviços públicos de saúde, segurança, educação, transportes, dentre outros, tem um único responsável: o servidor público.